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O Fim da Internet: Parte 1

Ou uma continuação de Diga não à Web3


Escrito em: 14-03-2026

Publicado em: 14-03-2026

Caminhamos, gradualmente para o fim da internet. Aquela internet a qual crescemos e conhecíamos já se foi há tempos, e o que resta agora é um zumbi, uma chacota, uma sombra do que já foi. Em seus tempos áureos, a rede de computadores era ostentava algumas características — há muito desaparecidas — que realmente caracterizavam-na e as quais eram o alicerce de sua existência, entre estas se distingue a descentralização, da qual os mais familiares com meus antigos textos já conhecem; Antes de apresentar o antigo, que desconfio que poucos leitores conhecem, irei contextualizar-vos com o estado atual das coisas: Todo site, fica hospedado (ou seja, seu código fonte fica "localizado") em um servidor. Quando digitamos uma url na barra de pesquisa ou abrimos qualquer aplicativo ou serviço com conexão à internet, à grosso modo, seu dispositivo envia uma requisição dos dados, página, etc, ao servidor ao qual o serviço está hospedado, e este, o "servirá" com a página, dados, etc requisitados. Isto ainda é comum à todos os sites da internet. O modelo atual, se caracteriza da seguinte forma: temos poucos servidores, para muitos sites, ou seja, muitos sites ficam hospedados no mesmo servidor. À isso damos o nome de centralização. Um agravante maior à centralização, e ponto principal deste texto, é que além da hospedagem centralizada, também temos conteúdo centralizado: temos poucos sites grandes, que controlam grande parte de todo o trafego da internet. Este fenômeno se iniciou em 2004 com o Facebook e desde então é o padrão para toda a internet. O que ocorre é que por conta disso, toda a internet, que até alguns anos atrás era cheia de vida e de personalidade, agora é subjugada por grandes companhias que não ligam para os usuários, mas sim pela exploração digital destes (possivelmente irei escrever um artigo quanto à isso no futuro, mas por enquanto não irei elaborar este tema). Qualquer medida, por menor que seja, por conta da centralização afeta grande parte dos usuários. Se X empresa decide que agora uma funcionalidade Y será desativada ou um assunto Z estará proibido em sua plataforma, não há outra alternativa aos usuários que desejarem desfrutar de Y ou Z. Além disso, tudo se transformou em engajamento, algoritmos, alcance, e não em conteúdo. Não são "recompensadas" — já que estamos tratando de redes sociais — as contas que produzem um conteúdo rico ou proveitoso, mas sim as que produzem um conteúdo mais "digerido" por assim dizer ou que conseguem melhor manipular o algoritmo à fim de impulsionar suas publicações. Resultado disso é que frequentemente encontramos excelente conteúdo em contas pequenas e desconhecidas, enquanto as maiores são raramente confiáveis com temas sérios ou profundos.

Então, como pode o antigo resolver o problema do novo? Retomemos, agora que explicamos o modelo novo e seus problemas, ao antigo paradigma: a antiga internet era profundamente descentralizada: O conteúdo era realmente uma rede, fortemente espalhado por diversos sites, e estes, espalhados por diversos servidores. O que ocorria em uma parte da rede, raramente afetava a outra, e se um servidor caia, raramente muitos sites, eram realmente afetados. A descentralização é realmente um modelo de rede muito mais forte neste aspecto. Nesta época, eram muito comuns os blogs: Quem fosse expressar suas opiniões, sentimentos, ou outras coisas montava um blog próprio (em vez de uma conta ou uma página) e postava tudo lá. Este local podia realmente expressar a personalidade de seu dono, desde o conteúdo, seu formato (se é em texto, fotos, ou artigos) até a customização; lá era realmente o seu espaço digital. Aqui, nos tempos realmente antigos, antes dos mecanismos de pesquisa, este modelo tinha a falha de ser pouco acessível: para conhecer um site, era necessário que outra pessoa disponibilizasse o link para este site em seu próprio site, assim, boa parte da internet ficava indisponível; Porém hoje, com os mecanismos de pesquisa, este problema não existe mais, e é possível agora mesmo encontrar diversos blogs pessoais pequenos por meio de um mecanismo de pesquisa.